A solidão em si é muito relativa. Uma pessoa que tem hábitos intelectuais ou artísticos, uma pessoa que gosta de música, uma pessoa que gosta de ler nunca está sozinha. Ela terá sempre uma companhia: a companhia imensa de todos os artistas, todos os escritores que ela ama, ao longo dos séculos.
Acho que tenho medo mesmo é dela inteira, mais do que, sei lá, de assalto ou de avião. O que é estranho, porque ela é tão pequenina e delicada e inofensiva.
Não é drama não, esse meu papo de querer ficar sozinha é uma necessidade. Talvez eu precise mesmo ler alguns livros, ouvir boas músicas, assistir filmes melodramáticos, e chorar por motivo nenhum. Ou por vários motivos. Ou por tudo. Isso não é drama, ou talvez seja só um pouquinho.
Dizem que quando Deus fecha uma porta ele abre uma janela. Mas as vezes ele derruba uma parede.